
O livro Empreendedorismo, Inovação e incubação de
Empresas – Lei da Inovação se propõe a analisar a
importância da iniciativa empreendedora para o
desenvolvimento econômico, tomando como foco a realidade
brasileira, sob o contexto da Lei de Inovação.
Abrangente e bem estruturada, a obra é pioneira na
interpretação das novas ações do Estado Brasileiro para
o fomento da inovação tecnológica e do empreendedorismo,
além de discorrer profundamente sobre as características
do empreendedor e a necessidade de as disseminar entre a
sociedade.
Em seis longos capítulos, além de coletânea de
entrevistas do autor, gravadas em DVD, que acompanha o
livro, busca-se provar o conceito de que somente através
da ação empreendedora será possível manter fluxo
contínuo de inovação, capaz de gerar vantagem
competitiva para indivíduos, localidades e economias
nacionais. Baseado, principalmente, na teoria da “destruição
criativa” de Shumpeter, e nas reflexões de Drucker
acerca da “inovação”, o autor compõe um panorama no qual
o empreendedorismo se torna o principal motor da
economia atual.
Cresce, então, a necessidade de disseminar o espírito
empreendedor entre a sociedade, através de sistema
educacional que permita o desenvolvimento das
características empreendedoras individuais, e de
instrumentos públicos que incentivem a iniciativa
empreendedora, tais como as incubadoras de empresas, que
oferecem ambiente propício ao desenvolvimento de novos
empreendimenos, e a Lei de Inovação, que cria as bases
legais para a criação e comercialização da inovação.
No primeiro capítulo, o autor se dedica a estabelecer
relação entre empreendedorismo e Lei de Inovação, não
sem antes conceituar o termo “inovação”, como um
processo sócio-econômico, capaz de propiciar o
desenvolvimento, sob a forma de vantagem competitiva.
Assim, os objetivos da Lei da Inovação e a essência do
empreendedorismo se permeiam, unidos pela necessidade de
promover a inovação. A Lei também é interpretada como
uma resposta da envolvente ambiental ao fenômeno do
empreendedorismo como gerador de riquezas, visto que o
conhecimento, como fator de produção, ultrapassou o
capital e recursos naturais e de mão-de-obra, em termos
de valor e utilidade.
A necessidade de sistematizar a produção da inovação e
de criar normas para a sua aplicação prática,
representadas pela Lei, evidenciam que o conhecimento é
a nova forma de propriedade, que será empregada para
gerar riqueza, principalmente em empresas de base
tecnológica.
O segundo e o terceiro capítulo se valem das teorias que
forjaram a concepção moderna de “empreendedorismo” para
caracterizar esse conceito, de acordo com a Lei de
Inovação. Através de visão econômica de Shumpeter, da
perspectiva de gestão de Drucker e da abordagem
psicológica de McClelland, o autor compõe quatro eixos
principais que conduzem à criação de empresas de base
tecnológica via Lei de inovação. O primeiro deles é um
sistema de valores, atitudes e elementos conceituais que
formam os atributos do comportamento empreendedor. O
segundo é, propriamente, a caracterização dos
empreendedores, com seus perfis e tipologias. O terceiro
diz respeito às incubadoras de empresas e à importância
da criação de ambientes de risco moderado, que venham a
aumentar as chances de sobrevivência de inovações
transformadas em produtos/serviços, por incentivo da Lei
de Inovação.
Por fim, o quarto eixo conceitua as micro e pequenas
empresas de base tecnológica, e apresenta seus
objetivos, importância, dimensões e processo de criação,
bem como a necessidade de gestão empresarial para a
preservação do processo de criação de riqueza através da
inovação. Esses eixos, ou vias para o desenvolvimento de
novos empreendimentos, devem ser construídos entre a
sociedade através de processos educativos que entendam
os indivíduos como recursos produtivos importantes, por
serem portadores do conhecimento, a serem canalizados
com o objetivo de maximizar a produção de riqueza. Essa
leitura é endossada pelo conteúdo do quinto capítulo,
que se detém à análise literal da Lei da Inovação para
compreender a gênese das novas empresas de base
tecnológica em incubadoras de empresas, que derivam em
clusters empresariais, e que representam a forma mais
integrada de sociedade voltada para o empreendedorismo.
O quarto capitulo, aborda a idéia do fim do emprego e as
novas perspectivas para criação de empreendimentos de
base tecnológica, motivadas pela Lei de Inovação, e se
aproxima muito da temática desenvolvida no sexto
capítulo, que propõe que as universidades devem
desenvolver posturas empreendedoras, a fim de propiciar
a oportunidade do “auto-emprego”, como resposta ao
desemprego que assola o país. A idéia de que o
empreendedorismo é a alternativa profissional para
muitos indivíduos, decorre do cenário de pessimismo e
incerteza em relação ao futuro das grandes organizações
concentradoras de força de trabalho. Entretanto, maior
importância é creditada à noção de que ser empreendedor
se tornará uma opção de vida à medida que a sociedade
for contagiada pelo espírito empreendedor, decorrente da
ânsia pela.
O DVD que acompanha o livro representa uma atitude
empreendedora que sintetiza, simbolicamente, o propósito
da obra. Além disso, permite que leitor conheça o
discurso verbal do autor e se aproxime dos modelos
mentais que resultaram nas idéias debatidas no livro. Os
diversos gráficos dispostos ao longo dos capítulos têm o
mesmo efeito de sistematizar o pensamento do autor, e o
torna mais compreensível. Dessa maneira, a obra ganha
abrangência, e é recomendável não só para os estudiosos
em empreendedorismo, mas para aqueles que se interessam
de maneira geral pelo tema.
A contribuição do livro está em evidenciar que a
sociedade precisa de adquirir características
empreendedoras para fomentar o desenvolvimento, e Lei de
Inovação é o primeiro passo nesse sentido. Ao tecer uma
visão otimista, baseada no empreendedorismo como
alternativa para a geração de riqueza, o autor motiva
possíveis iniciativas empreendedoras nos leitores e,
além da óbvia contribuição teórica, também se torna um
disseminador do empreendedorismo na sociedade.
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Emanuel Leite. Recife:
Bargaço, 2006. 400p. ISBN 8537300918
Marina Dantas de Figueiredo (FCAP/UPE) –
marina.dantas@gmail.com
Fone: 3242-2367. Fax: 3221-8198